domingo, 1 de março de 2009

Aliados em lugares estranhos

O grupo dá início a sua exploração da cidadela percebendo que ela corresponde exatamente à descrição nos livros King in Yellow e Revelations of Carcosa. Howard menciona a similaridade da arquitetura da cidadela e da cenografia da peça assistida em Londres.

Deixando o ancoradouro, eles chegam até uma praça. Lá se deparam com habitantes de Carcosa. São pessoas que brincam e dançam ao som de instrumentos musicais, todos vestidos com máscaras e capas de seda colorida, semelhantes às usadas na celebração do carnaval de Veneza.

As pessoas ignoram os investigadores tratando-os como outros habitantes e dedicando-se exclusivamente às brincadeiras. Inquiridos a respeito das razões para a celebração um deles afirma que a Rainha Cassilda está prestes a se casar com um Monarca vindo de terras distantes. Eles celebram o anúncio das bodas reais. Um homem conta que o casamento terá lugar no palácio e que quando o momento chegar, os sinos da cidade irão convocar todos para a festividade, todos estão felizes e curiosos para conhecer seu novo governante. O grupo percebe o sotaque escocês das pessoas, e embora todos digam que são moradores de Carcosa por toda vida, fica claro que eles devem ser habitantes da vila abandonada de Cannich. Nathaniel pergunta a respeito das máscaras e prontamente um dos indivíduos trás ornamentos semelhantes para o grupo vestir.

Os camponeses afirmam que ninguém tem permissão de ir até o palácio até a chegada do Rei. Eles indicam a direção do palácio, mas todos parecem muito enebriados para poder esclarecer outras perguntas. A festividade continua a medida que outras pessoas chegam à praça dançando, bebendo e rindo. A maioria parece estar em um tipo de estupor ou alucinação.


Os alegres habitantes de Ythill

Em meio à celebração, os investigadores percebem a presença de outras duas pessoas que como eles parecem deslocadas. Um senhor distinto vestindo terno e uma jovem com sobretudo. Arjuna se aproxima disfarçadamente e chama a dupla para perto. Embora desconfiados os dois aceitam conversar. Eles se apresentam como o Professor William McKenzie e Carolyn Saunders.

Os dois admitem ter sido membros da Irmandade do Símbolo Amarelo, uma sociedade dedicada ao estudo do ocultismo comandada por Montague Edwards. Ambos afirmam categoricamente que desconheciam o caráter nocivo da Irmandade e que quando foram confrontados com estranhas práticas optaram por abandonar a sociedade. Os dois, no entanto, continuaram intrigados com a Irmandade e passaram a investigar de perto suas atividades. Eles souberam a respeito dos estranhos rituais realizados em uma fazenda em Clare Melford e sobre a loucura que acometeu um amigo que permaneceu na Irmandade (e que terminou seus dias em um asilo para insanos). Graças a fortuna de Carolyn e aos contatos do professor, eles adquiriram um volume do King in Yellow. Os dois estiveram ainda na mal fadada estréia da peça de Talbot Estus - O Estranho e a Rainha - e após terem sido expostos ao Símbolo Amarelo passaram a sofrer os mesmos pesadelos. A investigação despertou a ira da Irmandade e do guarda costas de Edwards, um homem chamado Coombs que os ameaçou caso prosseguissem fazendo perguntas.

Finalmente a investigação os levou até a propriedade de Edwards em Loch Mulardoch onde se depararam com Carcosa. McKenzie afirma que eles estão na cidadela há pouco menos de um dia e que não conseguiram encontrar o caminho até o palácio, eles não sabem ao certo como, mas a cidade parece mudar constantemente, impossibilitando seguir um caminho confiável pelas suas ruas. Eles não encontraram ninguém além das pessoas em comemoração e deles não cnseguiram extrair nada. Cientes de que, permanecerem juntos é a melhor maneira de se manterem em segurança, os dois aceitam o convite de Howard para acompanhar o grupo.

Através das Águas de Hali

Carcosa foi trazida à Terra. Isso é fato!

Resta aos investigadores descobrir uma maneira de frustrar os planos da Irmandade do Símbolo Amarelo. O grupo explora a cabana de caça de Montague Edwards e descobre evidência de que ao menos uma dúzia de pessoas utilizou as instalações recentemente. Encontra entre os objetos pessoais dos membros do culto documentos pertencentes ao enfermeiro de Roby, Evans.

Sabendo que o culto deve estar em algum lugar de Carcosa, os investigadores preparam um barco a remos para cruzar Lach Mulardoch. Na casa de barcos adjunto ao lago eles encontram o pequeno bote.

A travessia do lago é assustadora: uma densa névoa cinzenta se ergue das águas plácidas, a escuridão é total, o frio insuportável. Em meio a passagem o som de uma horrenda besta semelhante aquela vista na floresta gela o sangue dos investigadores. A montruosidade está dentro do lago e seus tentáculos sondam a superfície. Ela bate na lateral do bote quasde virando o barco e provocando pânico, mas felizmente a coisa não parece interessada na pequena embarcação.

Remando até os limites da exaustão Arjuna e Nathaniel conduzem o bote até um ancoradouro de pedra onde o grupo desembarca. Carcosa é muito maior do que eles poderiam imaginar. A visão à distância não fazia juz a cidadela alienígena que abre suas portas diante dos estupefatos investigadores.
Existe na cidade um ar renascentista, mas algo de sinistro permeia as ruas e construções. Há algo de inumano na arquitetura que causa um sentimento de desconcertante estranheza. O silêncio é completo salvo pelo som da água batendo nas escadas de pedra do pier. Não há ninguém à vista e a cidadela se estende a perder de vista dividida por muros que delimitam vários distritos como em cidadelas medievais.

quinta-feira, 15 de janeiro de 2009

Grupo para posteridade

Uma foto do audaz grupo de investigadores dos mitos - ou melhor de seus jogadores - pouco depois da sessão que terminou com a chegada em Carcosa.
A conclusão, esse final de semana...
Da esquerda para a direita - Paulo, Luciano, Rodrigo, Job, Max e Rafael.

A mais chocante visão

Sem dizer uma palavra, os investigadores entram nos carros e continuam o caminho até finalmente avistar a propriedade pertencente a Montague Edwards. Localizada às margens de Lach Mulardoch, a casa é rústica, uma cabana de caça se tanto.

Automóveis estão estacionados próximo evidenciando que há pessoas no local, contudo não há luz dentro da casa.

Os investigadores descem e caminham cuidadosamente em direção a porta de entrada. É quando sua atenção é distraída por uma visão estarrecedora!

No centro do lago desponta uma cidadela com torres, muros e minaretes. O estilo clássico renascentista contrasta com a arrojada arquitetura que exorta ângulos bizarros e monumentos cujos detalhes não devem ser contemplados sob a pálida luz da lua, ao menos não por homens que desejam manter sua sanidade. Diante da visão surreal da cidadela flutuando sob as águas plácidas não resta dúvida de que é Carcosa.

De alguma forma a cidade do Rei Amarelo foi trazida para a Terra.

"Oh Deus! Eles conseguiram, é Carcosa!"

Escócia, Loch Ness e além...

1 e 2 de Dezembro 1928
Os preparativos para a viagem a Escócia são feitos. A maior cidade na região do Loch Ness é Inverness e os investigadores acertam os termos para alugar uma casa na cidade. Após os preparativos serem concluídos, o grupo formado pelo Dr. Lawrence Sterne, o milionário Arjuna Prajarayanan, a repórter Lydia Barker, o escritor Ralph Howard e o detetive Nathaniel Davemport parte de Londres com destino ao Norte.
3 de Dezembro de 1928

Os investigadores chegam a Inverness em uma tarde gelada. Eles obtém informações a respeito da região de Loch Ness e ficam sabendo que a cidade mais próxima da propriedade de Montague Edwards é um vilarejo chamado Cannich. Arjuna trata do aluguel de carros e fica sabendo que o inverno é o mais severo dos últimos 50 anos, com previsão para nevasca nas próximas horas. As estradas constituem um perigo para os viajantes. Mesmo assim, o grupo decide que não há tempo à perder. Eles precisam chegar a Lach Mulardoch o quanto antes.

4 de Dezembro 1928

Partindo pela manhã o grupo consegue avançar consideravelmente pela estrada desolada, mas logo problemas começam a se multiplicar. A estrada está em péssimas condições, a neve acumulada dificulta o progresso tornando a pista escorregadia e o vento frio parece atravessar os grossos casacos. A jornada é cansativa e se mostra um desafio para Nathaniel e Arjuna que dirigem os automóveis.

No meio da tarde, sob um céu cheio de nuvens negras os dois automóveis chegam a Cannich. O povoado está estranhamente silencioso. Não há viva alma nas ruas, nas casas, na taverna ou na Igreja. Os habitantes do vilarejo parecem ter abandonado suas casas às pressas deixando portas e janelas abertas e pratos com comida sobre as mesas de jantar. Não há pistas quanto ao paradeiro dos moradores de Cannich, todos os 300 habitantes: homens, mulheres e crianças desapareceram! "É como se tivessem evaporado no ar" diz Sterne.

O grupo discute sobre o que fazer e decide seguir adiante deixando o vilarejo fantasmagórico para trás. Alguns quilômetros à frente encontram um corpo caído ao lado da estrada. Trata-se de um senhor de idade que parece ter sucumbido a um ataque cardíaco. Ele não carrega carteira ou documentos.

Uma forte geada começa a cair logo em seguida e os veículos seguem com dificuldade. Em meio ao caminho Nathaniel avista algo que desponta no bosque. Descendo do automóvel o grupo se depara com um dos monolitos de granito branco semelhante àqueles encontrados na fazenda em Clare Melford. Howard que leu trechos do Revelações de Carcosa comenta que tais monolitos são usados para invocar a divindade Hastur, aquele que não deve ser nomeado. Logo em seguida estranhos sons são ouvidos vindo do interior da floresta. O bizarro troar se assemelha ao canto de uma baleia, os investigadores se entreolham assustados.

Poucos quilômetros adiante, uma rajada de vento quase vira um dos automóveis e enquanto descem para averiguar os danos ouve-se novamente o barulho. Os investigadores audaciosamente decidem entrar na floresta para descobrir o que está produzindo aquele rugido inumano. Caminhando na mata eles descobrem mais um monolito de granito e uma luz amarelada que parece vir de dentro da floresta. O grupo corre para se esconder e testemunha o surgimento de uma aberração medonha saída de um pesadelo. A coisa gigantesca flutua lentamente acima da copa das árvores produzindo uma luminosidade amarela doentia. Tentáculos descem em cascata britando de uma massa amorfa e flácida dotada de enormes faces deformadas. A criatura plana ao lado do monolito que começa a brilhar com uma luminiscência azulada enquanto tentáculos se enrolam no monumento.

Arjuna sai de seu esconderijo aterrorizado pela visão dantesca e corre para o automóvel. Nathaniel decide agir arremessando um coctail molotov improvisado na criatura. A garrafa se espatifa no monumento produzindo uma pequena explosão. A criatura larga o monolito e estende seus tentáculos. Os investigadores tentam correr para os carros, mas uma lufada de vento os arrasta de volta cada vez mais perto do monstro. Lydia e Howard se agarram no chão, Nathaniel consegue segurar em um galho, mas o Dr. Sterne é carregado pelo vento até ser colhido pelos tentáculos e arrastado na direção da coisa. Um grito é ouvido e então... silêncio.

Deixando a floresta, Audrey consegue impedir que Arjuna fuja em um dos carros, o indiano parece fora de si e demora até ser acalmado. Nathaniel e Audrey retornam para a floresta com lanternas mas não encontram nenhum sinal da criatura ou do Dr. Sterne. Os dois desapareceram sem deixar vestígios.

quinta-feira, 18 de dezembro de 2008

The Crowley Conection

Londres, 29 de Novembro de 1928

Os investigadores buscam informações a respeito do paradeiro de Alexander Roby em vão. O poeta parece ter desaparecido no ar.

Ainda no hospital, Howard encontra uma nota de rodapé na Occult magazine:
LAWRENCE BACON
(1866-1928)
Lawrence Bacon, residente de Islington, Norte de Londres, faleceu poucos dias atrás. O Sr. Bacon era um negociante de antiguidades, sobretudo livros raros, especializado em ocultismo, filosofia, teologia e temas semelhantes. Alguns leitores podem se recordar de sua loja situada na Liverpool Road ou a respeito da maneira incomum dele conduzir seus negócios.

O Sr Bacon era um velho conhecido, de fato pertencemos ao mesmo clube em Londres. Um senhor distinto, com vasto conhecimento e intrigante comportamento. Sua morte foi repentina e ainda não explicada.

“Perdurabo”

O escritor imediatamente se recorda da pessoa que assina a nota: "Perdurabo" é o nome adotado por ninguém menos que seu desafeto, o ocultista Aleister Crowley. Ao que tudo indica, Crowley teria conhecido Lawrence Bacon. O autor envia um telegrama a Crowley e marca um encontro no Restaurante Constantines, na Strand.

Londres, 30 de Novembro de 1928

Howard se encontra com Crowley no restaurante e o controverso ocultista se mostra mais acessível embora não menos sardônico. Ele chama Bacon de "dono de loja" e diz que ambos fizeram parte da Sociedade Hermética conhecida como Golden Dawn.

Howard consegue obter boas informações a respeito da Irmandade do Símbolo Amarelo e seus membros. Crowley afirma ter sido convidado a fazer parte dessa sociedade, mas não se interessou na ocasião por estar ocupado com a fundação de sua própria sociedade teosófica, a Telema. Ele afirma que Montague Edwards, era um amigo pessoal de Bacon, os dois praticavam vários rituais juntos. Edwards era um promissor membro da Dawn, mas havia rumores que ele praticava bruxaria e magia negra. Segundo Crowley, Edwards possui uma casa de campo em uma propriedade próxima a sua na Escócia, mais especificamente às margens de Loch Ness. O local é conhecido como Loch Mullardoch e pertence a Edwards que detém o título de Lord.

Crowley também sabe a respeito do professor Malcolm Quarrie. Este teria se aproximado dele em Milão no ano passado e feito o convite para ele ingressar na filial italiana da ordem, "Il Fratelli del Signo Giallo". Crowley não pôde ir à reunião pois estava com viagem marcada para a Sicília de modo que não chegou a encontrar Qaurrie pessoalmente.

Satisfeito com as informações obtidas, Howard se despede de Crowley e procura os demais investigadores.

Tudo indica que Edwards e Roby estão na Escócia, em Loch Mullardoch.

Herefordshire

28 de Novembro 1928

Logo pela manhã, os investigadores encontram uma tenebrosa manchete no jornal:

NOITE DE TERROR EM HEREFORDSHIRE

INCÊNDIO CONSOME MANICÔMIO
Oito vidas perdidas para as chamas

Em uma terrível e chocante tragédia, oito pessoas perderam as suas vidas e outras tantas ficaram feridas, quando o renomado Asilo St. Agnes em Herefordshire se incendiou na noite de ontem. A tragédia aconteceu durante a madrugada e aparentemente se iniciou na caldeira do antigo prédio espalhando-se com enorme rapidez para o pavimento superior. O St. Agnes é um dos mais conceituados asilos para mentalmente perturbados da Inglaterra, uma instituição respeitada e devotada à tarefa de promover a cura de indivíduos afligidos por problemas dessa natureza. O diretor da Instituição, Dr. Charles Highsmith, figura ilustre na comunidade médica britânica, ficou levemente ferido durante o incêndio.

Havia 18 internos no St. Agnes, na ocasião do incêndio, o staff de 12 funcionários também estava no prédio. O alerta de incêndio foi dado a uma da manhã e os funcionários correram para acudir os pacientes. Houve pânico e correria. Segundo relatos, alguns internos estavam trancados em seus quartos e ficaram impedidos de escapar. O corpo de bombeiro de Heresfordshire foi chamado às pressas, mas quando finalmente os carros de água chegaram as chamas já consumiam boa parte da estrutura.

De acordo com informações concedidas pelo Dr. Highsmith, entre os mortos estão cinco pacientes e três funcionários do asilo. O nome das vítimas está sendo mantido em sigilo até que as famílias sejam devidamente informadas. Considerando a proporção do incêndio e os danos causados, as perdas humanas poderiam ter sido muito maiores. Os feridos contabilizam 14 indivíduos, a maioria com intoxicação por fumaça e queimaduras leves. Todos foram removidos para hospitais da região onde estão recebendo tratamento adequado. A maior parte dos arquivos de pacientes foi destruída pelo incêndio que devastou a ala norte do prédio produzindo danos significativos à propriedade.

O Chefe da Brigada de Incêndios, disse que estará em contato com a polícia para averiguar a possibilidade de o fogo ter sido provocado intencionalmente. Segundo ele, ainda é cedo para fazer qualquer especulação nesse sentido. Os internos não tinham autorização para descer à sala da caldeira, que ficava sempre trancada quando em funcionamento. O mais provável relatou uma fonte extra-oficial é que o fogo tenha se iniciado com uma fagulha e se espalhado para o depósito de lenha.

Matéria do Daily News.

Imediatamente, os investigadores buscam notícias sobre Alexander Roby. Incapazes de encontrar qualquer notícia, Noah, Pietro, Sterne, Lydia e Patrick resolvem ir até Herefordshire para saber o que aconteceu.

O cenário no que restou do St Agnes é desolador. O prédio foi quase inteiramente consumido pelas chamas e parte da estrutura ameaça desabar. Alguns bombeiros dizem que o Dr. Highsmith está no centro médico de Hereford, assim como a maioria dos internos feridos ou intoxicados pela fumaça.

No centro eles encontram o Dr. Highsmith e ficam sabendo que Roby está entre os desaparecidos e que provavelmente não conseguiu sobreviver, pois estava trancado em seu quarto durante o incêndio. O diretor não imagina como o fogo pode ter se iniciado, o Sanatório era totalmente seguro. Ele também não acredita que o fogo possa ter sido causado por algum interno.

O Dr. Sterne se oferece para ajudar no tratamento das vítimas e acaba encontrando o Sr. Lucius Halliwell, o interno que ocupava o quarto em frente ao de Roby. Sterne consegue convencê-lo a contar o que viu na noite do incêndio. Segundo Halliwell, Roby não morreu trancado em seu quarto, ele foi retirado pouco antes pelo enfermeiro Evans.

Evans teria dito que "Edwards e os outros o estavam esperando no Norte" e que "o momento havia chegado". O nome de Evans está entre os desaparecidos durante a trágédia.